The Witcher 3 Wild Hunt

PS4

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Descrição

 

The Witcher 3: Wild Hunt é um game enorme. O universo criado pela CD Projekt RED não é somente grande do ponto de visto geográfico, mas também quando se fala em complexidade. Conforme você explora os campos, cidades e masmorras criados pelo estúdio, descobre missões, objetivos secundários e atividades paralelas que contribuem para que você simplesmente se perca nesse mundo — e falo isso da melhor maneira possível.

Um mundo enorme e envolvente

Apesar de apostar na fórmula do “mundo aberto”, The Witcher 3: Wild Hunt faz isso de uma maneira um tanto diferente da que estamos acostumados. Na prática, temos algo muito mais parecido com um RPG tradicional do que com a série Grand Theft Auto ou títulos como Red Dead Redemption, que lidam com essa liberdade de maneira um tanto diferenciada.
O universo imenso de Wild Hunt serve mais como um complemento à sua ambientação do que como uma desculpa para você “fazer o que quiser”. Ou seja, se sua intenção é simplesmente brincar com os ambientes e matar tudo o que aparece pela frente, pode ficar decepcionado — o título segue uma coerência interna própria que impede que o protagonista Geralt assassine inocentes ou saia “tocando o terror” por onde passa.

 

Outro fator que diferencia o título de outros games que apostam em uma grande escala para chamar a atenção é o fato de que ele está simplesmente recheado de coisas a fazer. Cada nova cidade explorada revela uma série de missões e locais de interesse que, sozinhos, podem tomar algumas horas de seu tempo.
A quantidade de atividades disponíveis aumenta ainda mais caso você simplesmente deseje sair caminhando pelos campos verdejantes, locais de batalha, pântanos e fortalezas de The Witcher 3. Muitos locais aparentemente desinteressantes escondem passagens secretas e documentos que revelam missões extras, novos equipamentos ou simplesmente visões de tirar o fôlego.A impressão que fica é a de que a CD Projekt RED construiu cada milha de seu território virtual de maneira manual. Mesmo que alguns cenários compartilhem texturas e algumas formas geométricas, o design de áreas e a própria colocação de itens e baús parece ter sido feita com o único objetivo de respeitar uma coerência interna bem evidenciada.

Roteiro admirável...

Devo admitir: por mais que goste de The Witcher 3: Wild Hunt, os momentos iniciais da aventura não são exatamente os mais envolventes que vi em um RPG. Enquanto a cena de animação que abre o jogo promete uma aventura que começa cheia de ação e intrigas, as primeiras horas passadas em Pomar Branco mostram um título com uma evolução um tanto lenta.
Felizmente, a partir do trecho em que você deixa a localização, a aventura “engrena” uma nova marcha e nunca deixa o ritmo cair. Em questão de horas, você vai estar procurando por evidências que levam a monstros, destruindo esquemas criminosos, interagindo com farsantes e até mesmo lutando em arenas clandestinas para divertir o público.

 

A maior parte dessas atividades está relacionada a tramas próprias, cujos resultados podem influenciar de maneira variável no desenrolar da aventura principal. Inclusive, muitas das missões mais interessantes do game começam justamente como algo de caráter opcional que se desenrola de tal forma que a situação ganha em importância e se prova diretamente relacionada à busca do protagonista.
O que chama a atenção é o fato de que o roteiro do jogo é genuinamente bom. Não simplesmente “bom para um video game” — estamos falando aqui de um trabalho que possui um nível de qualidade capaz de rivalizar com um bom filme ou peça de teatro, algo que infelizmente ainda é um tanto raro no mundo dos jogos eletrônicos.

 

Claro, um jogo com o tamanho de The Witcher 3 não escapa de apresentar uma ou outra trama boba ou de falas que soam simplesmente estranhas, mas em geral o game faz um trabalho admirável nesse sentido. Quando você estiver em meio a uma conversa que envolve magias, elfos e monstros e não achar isso algo absurdo ou tolo, provavelmente vai entender do que estou falando.
Também admirável é a maneira como o game trata conteúdos considerados “adultos” que, em geral, a indústria trata da maneira mais adolescente o possível. Conforme falei na segunda parte de minha análise em andamento, o sexo está presente de forma bastante madura em The Wild Hunt — ou seja, não espere encontrar aqui a velha representação simplesmente erotizada que costumamos aceitar em um jogo do tipo.

 

Também preocupa o fato de que a motivação inicial de Geralt parece descontextualizada a quem não jogou pelo menos The Witcher 2: Assassins of Kings ou leu os livros da série. Mesmo que o material promocional do game deixe claro que estamos em busca de Yennefer e Ciri, as descrições que o game faz delas não permite que criemos uma conexão sentimental imediata — ou seja, é difícil se importar com a busca do protagonista se você já não sabe quem elas são.
Resolver isso seria uma tarefa relativamente simples: a CD Projekt RED poderia simplesmente substituir a animação inicial do título por uma retrospectiva opcional. Embora seja admirável o trabalho do estúdio de não querer forçar referências ou explicar tudo de maneira extremamente didática, a falta dessa contextualização pode gerar desinteresse em quem tem em Wild Hunt seu primeiro contato com a série The Witcher.

RPG desafiador

The Witcher 3: Wild Hunt expande os sistemas vistos em Assassins of King ao mesmo tempo em que simplifica certos elementos para aumentar sua acessibilidade. Isso significa que o game apresenta uma ação com características táticas que o colocam em um lugar entre a cadência de um Dark Souls e a ação vista em um game hack’n’slash.Embora você possa simplesmente atacar cegamente seus inimigos (algo possível visto que os movimentos do protagonista não estão mais associados à sua barra de stamina), mesmo na dificuldade normal isso vai decretar rapidamente sua morte. Especialmente quando você está cercado de inimigos, é importante saber os momentos em que defender um golpe ou se desviar de um ataque inimigo é necessário.

 

Mesmo que pareça estranho em um primeiro momento, o sistema de combate de Wild Hunt se mostra bastante satisfatório assim que você se acostuma com ele. Apesar de a mira fixa do título nem sempre funcionar bem, o fato de ela ser dispensável na maior parte das batalhas do título faz com que você sequer se importe com eventuais falhas nesse sentido.
Além de suas duas espadas — uma de aço, para humanos, e outra de prata, para monstros —, Geralt também encontra diversos porretes e machados para complementar seu arsenal. A série introduz o uso de bestas, ferramenta que auxilia o herói a combater inimigos voadores e a acertar adversários a longas distâncias.
O arsenal do bruxo também conta com um arsenal variado de bombas com efeitos diversos e com uma série de poções. Inicialmente presentes em número limitado, esses itens ficam mais diversificados e úteis conforme você encontra fórmulas escondidas pelos cenários, as adquire com vendedores ou simplesmente as recebe como recompensas em algumas missões.

 

Para completar, Wild Hunt possui um sistema complexo de criação de equipamentos que exige certo investimento da parte do jogador para ser totalmente explorado. Sua busca por itens específicos quase sempre é recompensada, visto que a obtenção de algumas das melhores armas e armaduras do jogo exige o uso das forjas oferecidas por alguns artesões.
Só preste atenção ao fato de que o título nem sempre possui uma indicação clara do desafio que cada adversário representa. A diferença de um nível entre você e outro personagem pode determinar tanto uma batalha fácil quanto uma simplesmente impossível — nesse caso, o melhor indicador possível de que é melhor correr não é o numeral exibido, mas sim a presença ou não de uma caveira vermelha próxima ao nome de seu adversário.

 Enfim, a nova geração

Caso você esteja questionando os motivos pelos quais investiu em um console de nova geração, The Witcher 3: Wild Hunt chega para acabar com qualquer dúvida quanto à necessidade da existência dos hardwares mais recentes do mercado. O título apresenta uma qualidade visual impressionante que simplesmente não teria como ser alcançada nas plataformas mais antigas.
Nesse sentido, sequer é preciso falar que a versão ideal para quem quer o máximo desempenho é o PC. Mesmo assim, o PlayStation 4 e o Xbox One estão longe de fazer feio, exibindo uma grande quantidade de detalhes, personagens bem animados e um campo de visão surpreendentemente grande.

 

Os gráficos do jogo são combinados a um bom design de personagens e de ambientes, não servindo simplesmente como uma ferramenta vazia. O resultado disso se mostra em ambientes que parecem vivos e que se comportam de maneiras diferentes dependendo das condições climáticas e do horário do dia — não canso de repetir o quanto os pôres do Sol de The Witcher 3: Wild Hunt são belos.
Também há de se destacar a qualidade das texturas usadas pela CD Projekt RED, especialmente aquelas aplicadas sobre o rosto dos personagens. Basta olhar para uma pessoa para conseguir fazer uma previsão bastante exata de sua idade, assim como de seu estado de espírito.

 

Toda essa qualidade visual cobra um preço, especialmente nos consoles. Durante nossa análise (que tomou como base a versão para PlayStation 4), não foram raros os momentos em que o título apresentou alguma lentidão — especialmente enquanto trafegávamos por cidades ou acessamos alguma área nova.
Isso não chega ser exatamente um incômodo — nunca há um momento em que o game vira uma “apresentação de slides”, por exemplo —, servindo mais como uma prova de que a atual geração de consoles já nasceu com um hardware um tanto limitado. A esperança que fica é a de que, com patches futuros, a desenvolvedora consiga minimizar a ocorrência desse pequeno problema.

Vale a pena?

The Witcher 3: Wild Hunt é um daqueles raros casos de jogos que correspondem ao hype criado. Deixando de lado polêmicas envolvendo ou não um suposto downgrade gráfico, o game é simplesmente lindo, apresentando um universo que aproveita sua beleza para envolver o jogador durante dezenas ou até mesmo centenas de horas.

 

A partir do momento em que você começa a se envolver nas histórias, subtramas e conflitos presentes no RPG, é difícil se convencer a deixá-lo de lado. Mesmo com um começo lento e mecânicas que poderiam ser melhor polidas pela CD Projekt RED, o título é um dos raros casos em que se fica feliz por sempre ter mais a fazer — depois de certo tempo, você simplesmente não quer que a aventura acabe.
Com Wild Hunt, a CD Projekt RED se estabelece de vez como um dos grandes nomes do mercado, rivalizando em qualidade e competência nomes consagrados do mundo dos RPGs eletrônicos como a BioWare e a Bethesda. Especialmente quando levamos em consideração que essa é a primeira incursão do estúdio no universo dos jogos de mundo aberto, é difícil não se surpreender com o que ela conseguiu.
Sim, o game tem problemas técnicos e apresenta decisões de design duvidosas em certos pontos, mas isso não é suficiente para distrair de suas qualidades.



Especificações
  • Legenda: Português BR
  • Audio: Português BR
  • Tamanho: 28,8 GB

Trailer
 
 Gameplay
 
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