The Last of US + DLC

PS3

The Last of US + DLC

Disponibilidade: Em estoque
R$ 21,89

Muito mais do que um apocalipse

O filme “Eu Sou a Lenda” é a primeira imagem que vem à cabeça quando se observam imagens ou até mesmo a própria capa de The Last of Us. Mas, acredite, as semelhanças param por aqui. No game, não existe um Will Smith disposto a salvar o mundo, nem atos de heroísmo insanos que aparecem belos e imaculados na tela.

A cada passo que se dá em The Last of Us, temos a impressão que o fungo que extinguiu boa parte da humanidade não faz isso apenas literalmente, mas também figurativamente. Vive-se em uma época de repressão profunda. Matar não é mais um problema. Os mais fracos vivem escondidos e acuados, enquanto os mais fortes impõem sua supremacia pela violência.

E, na história, você não controla um herói, muito menos alguém nobre. Joel é um protagonista marcado pelo passado e que tem os interesses de seu grupo em primeiro lugar e não hesita em matar ou usar violência para conseguir o que quer. A relação dele com Ellie – uma pessoa igualmente deslocada –, porém, tem caráter transformador e é o principal fator de mudança do título.

Durante boa parte do game, você estará enfrentando, se esgueirando ou tentando evitar ser atacado pelos bons e velhos seres humanos, e não pelos monstros infectados. Muitas vezes, a ameaça das pessoas pode até mesmo ser mais perigosa que a das criaturas.

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Esse aspecto se estende também ao modo multiplayer, em que, obviamente, você está sempre controlando personagens humanos. Aqui, nada dos tiroteios insanos de jogos como Call of Duty ou jogadores correndo como loucos pela tela. A economia de recursos também dá o tom, apesar da furtividade nem sempre ser eficaz.

O fator “choque” do multiplayer vem pela violência. O enredo do modo é conectado à trama principal do game e faz questão de mostrar, o tempo todo, que você está apenas tentando sobreviver. Só que os outros também estão nessa função e, no mundo de The Last of Us, é cada um por si.

Prepare o coração

The Last of Us vai mexer com você, a não ser que você tenha uma alma peluda. Logo nos primeiros momentos da história, é como se o jogador fosse atingido por um furacão, alternando momentos de tensão extrema com outros em que você tem vontade de invadir o mundo do game e estender uma mão aos personagens.

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Essa corrente de emoções perdura ao longo de todo o título, mesmo quando Joel é mostrado já como um indivíduo endurecido por suas perdas. A jogabilidade no segmento pós-apocalíptico do título vai fazer você pular da cadeira, torcer para que algo de bom aconteça e andar nas pontas dos pés junto com os protagonistas que tentam evitar os ataques de humanos e criaturas infectadas.

A atenção aos detalhes aparece de forma sutil. Em momentos de calmaria, Ellie vai começar a assoprar. Segundo ela, está tentando aprender a assoviar. Em outros, durante a exploração de uma sala, por exemplo, será possível ouvi-la cantarolando alguma canção. São momentos de humanidade em meio ao caos.

Um dos principais pontos positivos de The Last of Us não está em aspectos técnicos, como os que aparecem nas notas aqui do BJ. É uma mistura da forma como a história é contada com os cenários incrivelmente bem construídos e, acima de tudo, uma imersão total no país devastado do título. É impossível não se colocar na pele dos personagens e sofrer com eles.

Esse envolvimento, unido aos aspectos de desumanização do subtítulo anterior, transforma The Last of Us em algo que é visto pouquíssimas vezes. Não é um game divertido. Muitas vezes, chega até mesmo a ultrapassar o caráter de “jogo”. É uma experiência, difícil até de resumir em palavras.

Existia vida aqui

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Se existe uma expressão que define o conjunto gráfico de The Last of Us, ela é “cuidado com os detalhes”. A quantidade de elementos que aparece ao mesmo tempo na tela, o nível de qualidade de coisas que normalmente passam despercebidas e a aparência geral do mundo do game passam perfeitamente a ideia de desolação e desespero do título, ao mesmo tempo em que mostram todo o potencial da Naughty Dog e do PlayStation 3.

Mas não se trata apenas de artigos espalhados pelo chão ou destroços. Dá para perceber que existe pensamento e atenção no posicionamento de cada um dos elementos, de forma a passar a impressão de que, antes da destruição, existia vida ali. Aqui, é a terra tomando conta do que antes era asfalto. Ali, os restos da residência de uma família feliz. São histórias que nunca saberemos dentro da história de Joel e Ellie.

Tudo isso aparece de forma esplendorosa em um dos melhores visuais já vistos no console da Sony. A qualidade da maioria das texturas é impressionante e o realismo é extremo. Existem, claro, imperfeições aqui e ali. Mas se a ideia de que jogos estão cada vez mais próximos de filmes é realmente verdadeira, The Last of Us é um testamento a ela .

Sem parar

A preocupação da Naughty Dog com realismo vai além dos aspectos técnicos ou narrativos do título. Elementos de “fora do game”, que poderiam contribuir para uma quebra na tensão ou um desprendimento do jogador, foram completamente excluídos. O título praticamente não possui momentos de parada para loading e todo o carregamento dos arquivos acontece de forma “invisível”.

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Existe uma única tela visível desse tipo, logo no início do jogo, e ela dura muito. Depois, caso você consiga a proeza de não morrer – e você merecerá uma medalha se obtiver sucesso –, poderá seguir até o final quase sem interrupções. Aqui e ali existem cortes para o início de cenas de corte, mas até mesmo elas, na maioria das vezes, aparecem de forma totalmente integrada à jogabilidade.

Você não vai largar o controle, nem mesmo para ouvir a história. E fique atento aos diálogos dos personagens, já que, mesmo durante as cenas de ação ou exploração, as conversas entre eles revelam pontos importantes da trama.

Com o DLC Left Behind, o estúdio retorna ao mundo pós-apocalíptico tomado pela infecção de Cordyceps para nos contar uma história tão tocante quanto aquela que vimos no ano passado. Deixando a luta pela sobrevivência em segundo plano, a produtora reforça a importância das relações humanas e o quanto ela pode ser corrompida em um mundo tão podre quanto este. É uma história singela sobre amizade e a perda da inocência; um adeus aos tranquilos dias de paz.

Mais do que tudo isso, é uma das coisas mais lindas que já passou pelos consoles.

Flashback

A narrativa de Left Behind se passa em dois momentos distintos da cronologia. O primeiro deles é focado no presente, mais especificamente após Joel se ferir na luta contra os homens de David, no inverno. Controlando Ellie, o jogador deve correr contra o tempo para encontrar medicamentos para estancar o sangramento de seu companheiro.

Contudo, essa não é a parte mais interessante deste DLC. O que realmente chama a atenção são os flashbacks de Ellie que nos mostram um pouco mais de sua história. E, se o passado de Joel era aquele soco no estômago, o da garota é um nó na garganta.

Isso porque a trama é centrada exatamente na relação com Riley, sua melhor amiga. E isso é muito interessante, pois é possível ver o conflito existente entre os dilemas comuns de uma adolescente de 15 anos e os desafios de encarar uma realidade completamente destruída. Como ser normal quando o mundo ao seu redor não é?

Essa parte de Left Behind se destaca exatamente por isso. Acostumamo-nos a ver uma Ellie durona e já calejada — como seu discurso final na campanha bem evidencia —, mas o DLC nos apresenta quando ela ainda era uma garotinha inocente que não sabia o quanto a vida podia ser cruel.

E é muito duro ver isso acontecer, uma experiência angustiante do começo ao fim. Você sabe o que vai acontecer e, ainda assim, torce, se anima e se desespera à medida que as coisas acontecem. Assim como na campanha, o envolvimento é inevitável. Você crê que aqueles personagens são reais, pois suas emoções também são.

É aqui que sentimos o verdadeiro peso da narrativa. Esses flashbacks são inteiramente contemplativos e baseados nos diálogos e na exploração do cenário. Left Behind não precisa de nada mais do que isso para que o jogador se envolva com Ellie e Riley, deixando de ser apenas um espectador e fazendo parte daquele mesmo drama.

Para isso, a Naughty Dog optou por deixar a ação apenas para as cenas do presente, usando as memórias como uma forma de aprofundar a relação entre as duas jovens. E isso é tão bem feito que é muito mais interessante acompanhar as conversas do que enfrentar zumbis e caçadores. Se ele fosse lançado como um pequeno curta-metragem, ainda seria ótimo.

Contraponto

Por outro lado, o presente também tem sua importância. Além de ser a parcela mais agitada do DLC, é ele que faz o contraponto com aquilo que vimos nos flashbacks. Se o passado nos traz uma Ellie ainda inocente, reencontrá-la no contexto “clássico” nos mostra o quanto esse mundo apodrecido mexeu com ela.

É curioso você ver a mesma menina que se encanta ao andar em um carrossel pela primeira vez jogar infectados sobre caçadores para abrir caminho até seu objetivo. O meio determina o homem, ainda mais em situações tão críticas quanto estas. E Left Behind deixa esta transformação bem clara ao nos jogar nesses dois momentos, evidenciando o contraste.

Isso tudo casa muito bem com o discurso que ela faz para Joel na cena final de The Last of Us. Sua fala sobre a espera do pior, sobre o quanto a vida lhe tirou e tudo o mais é resumido muito bem neste DLC. Se você compreendeu o que ela quis dizer na época, chegou a hora de sentir  tudo isso.

Para completar, temos a excelente trilha sonora de Gustavo Santaolalla para coroar essa belíssima história com melodias que combinam muito bem que o espírito geral do extra. Se você não for capaz de se emocionar com tudo isso, é porque você deve estar morto por dentro.

Estendendo a jogatina

Para saciar a vontade dos fãs de permanecer neste mundo por mais tempo, a Naughty Dog trouxe pequenos desafios que vão fazê-lo revisitar essa história mais de uma vez. Além dos diferentes níveis de dificuldade, temos uma longa lista de colecionáveis e outros elementos escondidos pelos cenários. Pensou que ia se ver livre das conversas opcionais?

O detalhe aqui fica por conta dos relatórios que Ellie encontra. Assim como a história de Ishi em The Last of Us, o destino de outro grupo de sobreviventes é apresentado em fragmentos e que, mais uma vez, convida o jogador a mergulhar nessa pequena história. É uma forma interessante de se engajar na busca por esses itens secundários.

Já nos combates, não há muita diferença em relação ao original. O ponto é que Left Behind se revela um pouco mais difícil por conta da falta de recursos, principalmente nas dificuldades mais elevadas. Isso valoriza muito a utilização de estratégias, já que você nunca vai poder contar por muito tempo com suas armas para sobreviver.

O único porém encontrado neste aspecto diz respeito à inteligência artificial, que foi levemente alterada para aumentar o desafio e foge um pouco daquilo que vimos anteriormente. É frustrante ser atacado por um Estalador — que são cegos e só poderiam encontrá-lo caso você fizesse algum barulho — quando a personagem está completamente imóvel e em silêncio. Ainda assim, é algo tão pontual e insignificante que em nada afeta a experiência geral do DLC.

Goodbye, Halcyon Days

Por fim, é impossível não se emocionar com o excelente trabalho da Naughty Dog em Left Behind. O DLC resume muito bem aquilo que há de melhor em The Last of Us, valorizando as relações humanas e o quanto um contexto crítico é capaz de transformar uma pessoa. Vimos isso acontecer com Joel e agora chegou a hora de olhar as cicatrizes deixadas em Ellie.

E o mais incrível é que tudo isso é apresentado de maneira muito sutil na narrativa. Trata-se de algo tão bem construído que é impossível não se envolver e se sentir dentro daquele universo. A produtora já havia demonstrado ser capaz de criar uma história incrível e agora ela vai além e traz algo ainda mais sensível, por mais curta que ela seja. Left Behind leva uma média de duas horas para ser finalizado e você acaba querendo muito mais daquilo, por mais sofrível que seja aquela realidade.

Continuo achando que não há a necessidade de um The Last of Us 2, mas a chegada deste DLC me provou que não há com o que se preocupar. A Naughty Dog conseguiu me convencer de que há maneiras de expandir este universo, apresentar novas camadas de seus personagens e, ainda assim, nos surpreender como da primeira vez.

  • The Last of Us
  • Legenda: Português BR
  • Audio: Português BR
  • Tamanho: 27 GB

 

  • Left Behind
  • Legenda: Português BR
  • Áudio: Português BR
  • Tamanho: 10 GB
 
 
 

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