Final Fantasy XII The Zodiac Age

PS4

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Diferentemente de muitas pessoas que tiveram contato com Final Fantasy XII em 2006, eu fui com a cabeça muito aberta para essa nova experiência. Desde os primeiros minutos do game, eu amei absolutamente tudo que encontrei: desde a ambientação ao sistema de combate. Como todo jogo, ele tinha seus altos e baixos, mas acho que se tornou o meu Final Fantasy predileto ao longo dos anos.
O que você precisa saber logo de cara com a versão remasterizada, chamada de Final Fantasy XII: The Zodiac Age, é que ela é praticamente uma terceira versão do jogo de 2006. É seguro afirmar que se trata de uma edição com muitas melhorias e adições também, algo que a torna bem diferente do jogo original e até mesmo da edição International Zodiac Job System, lançada exclusivamente no Japão.
Portanto, se você gostava do título e gostaria de jogá-lo novamente, essa é a versão que você quer experimentar. Deixou passar o game? Essa é a versão que você deve tentar. Não curtiu muito na época e quer tentar de novo? Essa é a edição definitiva. Bom, acho que deu para entender.

Final Fantasy XII: um jogo que envelheceu muito bem

Como qualquer mudança em algo enraizado, Final Fantasy XII fez muitos fãs torcerem o nariz na época, já que era o primeiro (com exceção do XI, que era online) a sair do sistema emblemático de turnos que, para muitos, é o que define um Final Fantasy. O impacto da época pode ter chocado muita gente, mas hoje, com diversos títulos da franquia que saem do padrão (como Final Fantasy XIII e XV), você verá que Final Fantasy XII é uma gema preciosa que passou batida por muita gente.
Estamos falando de um jogo de PlayStation 2 e é perigoso cobrar caro em uma remasterização de algo mais datado. Kingdom Hearts resolveu esse problema ao compilar mais de um jogo no mesmo pacote, algo que suaviza a crítica sobre o conteúdo. Mesmo sendo apenas um único game, Final Fantasy XII: The Zodiac Age se sustenta muito bem ainda hoje: o título estava além de seu tempo e envelheceu muito bem.

 

Para quem não se lembra, o sistema de combate do jogo é aberto e não depende de turnos, apesar de ter a barra ATB (Active Time Battle). Os confrontos do game se assemelham muito mais às mecânicas de MMORPG e há novas mecânicas na série, como os Gambits, que são automatizações das lutas, e o quadro de licenças, que posteriormente foi reformulado para ser parecido com um sistema de classes.
Final Fantasy XII é muito aberto desde o começo da aventura, e esse é um dos méritos mais incríveis do jogo: a sensação de liberdade é bem grande, mesmo que você tenha que seguir algumas quests lineares nos primeiros minutos. Essa exploração em grandes cenários (que são muito orgânicos e até mudam com as estações) é um dos maiores destaques do título, e ela está ainda mais agradável desta vez.

Final Fantasy XII é uma gema escondida da era PS2 e esse remaster é ideal para revisitá-lo

Esse é o ponto de destaque aqui: apesar de ser uma remasterização, ele é muito moderno. Confesso: me diverti mais com esse remaster do que com o recém-lançado Final Fantasy XV. Claro, é uma opinião pessoal aqui, mas o que preciso ressaltar é que se trata de um título de centenas de horas de duração e que ainda vale muito a pena.

Jogo antigo, conteúdo inédito

Apesar de ser um game de 2006 para PlayStation 2, Final Fantasy XII: The Zodiac Age chega com conteúdo inédito no PlayStation 4. A não ser que você tenha adquirido uma cópia japonesa da versão International do game original, provavelmente não jogou a experiência diferenciada dos nipônicos.
Basicamente, a versão International mudou um alicerce do game original, alterando o sistema de licenças e trazendo uma dinâmica de classes, igual ao que acontecia nos primórdios da série. Portanto, é a primeira vez que o Ocidente pode experimentar Final Fantasy XII por uma perspectiva e de uma forma bem diferentes.

 

E por que isso muda tanto a experiência? Basicamente, essa alteração no sistema do jogo faz com que você varie mais cada personagem em tela. Como os heróis podiam assumir qualquer função no game original, você poderia simplesmente escolher os seus favoritos e nunca mais dar atenção aos demais. Mas isso não ocorre aqui: é simplesmente impossível deixar um White Mage de lado. Essa mudança traz um dinamismo maior e oferece mais opções de táticas na hora das batalhas.
Porém, The Zodiac Age mexe ainda mais na mistura e altera esse sistema inédito por aqui. Acontece o seguinte: a versão japonesa permitia que cada personagem assumisse um job entre 12, e isso ficaria fixo para sempre. Em outras palavras, todos os seis protagonistas teriam apenas seis jobs, o que significa que metade dos 12 nunca seriam utilizados. Entretanto, isso muda na versão remasterizada.

Todo o conteúdo da versão japonesa está presente, mas com ainda mais adições

Dessa vez, cada personagem pode ter até dois jobs distintos, mas somente um pode ser selecionado no começo da campanha. Essa é apenas uma das coisas novas que eram exclusivas do Japão, mas muitos outros refinamentos foram feitos para alterar ainda mais a jogabilidade. Final Fantasy XII The Zodiac Age é quase uma terceira versão do mesmo título.

Mais do que uma remasterização: uma versão definitiva

Como uma exploração pode ficar mais agradável? Final Fantasy XII tem mapas bem grandes e cenários extensos, algo que poderia complicar entre uma quest e outra (já que, para salvar o jogo, é preciso encontrar um cristal). Para ajudar nisso, a equipe implementou um sistema que aumenta a velocidade do game, como em um emulador, ideal para atravessar longas distâncias, para grindar ou simplesmente para matar repetidamente um mesmo inimigo e aumentar as chances de loot. Para ativá-lo, é só apertar o L1, que acelera quatro vezes a velocidade e não distorce as músicas.
O exemplo acima é bacana, mas é apenas um de muitos. A Square Enix realmente deu atenção ao jogo e não fez apenas um upscale de resolução. Há novos inimigos, 18 novas armas, balanceamento na aparição de baús (eles aparecem 1,5 vezes mais e se respawnam com apenas um cenário de distância, diferente do modelo anterior, que requeria três) etc. Além disso, agora é possível controlar os personagens convidados na party e até mesmo os Espers, os summons do game, algo realmente inédito.

 

Muitas das novidades refletem diretamente no gameplay também, tornando o que já era bom em algo ainda melhor. Os Quickenings (os limit breaks do game) foram reformulados e não requerem mais MP, é possível ver o minimapa expandido na tela, recompensas diferenciadas para as caçadas e a adição do novo modo Trial, que traz uma série de desafios para prolongar a vida do game e desafiar os jogadores que já estão com um set de armas bom (você enfrenta tudo com os seus atributos atuais). Basicamente, os jogadores enfrentam ondas de inimigos em mais em 100 andares de desafios; ao passar cada um, os personagens ganham recompensas que podem ser levadas à campanha. Um complementa o outro.
A Square optou por trazer ainda mais elementos novo, como auto-saves (ideais para salvar aquele Game Over longe de um ponto de save), vozes em japonês e os dois novos modos de jogo para new game+: o Weak Mode, no qual todos os seus personagens não evoluem, e o Strong mode, na qual os personagens começam no level 90, mas a dificuldade também aumenta.

Não há milagres audiovisuais, mas é uma remasterização bem acima da média

Uma coisa que vale a pena destacar desde o começo é a seguinte: Final Fantasy XII The Zodiac Age é uma remasterização e está longe do padrão remake que vimos em alguns casos. Contudo, isso também não quer dizer que ele é desagradável de olhar. Claro, a limitação do PlayStation 2 ainda fica evidente, mas acho o resultado é digno de um remaster de qualidade.
O título segue o mesmo padrão de excelência apresentado em Final Fantasy X HD Remaster: alta resolução, melhorias em modelos 3D e refinamentos muito aparentes em texturas e outros efeitos, como motion blur, profundidade de campo, melhoria na qualidade de sombras, refinamento de texturas, CGs com resolução maior e anti-aliasing. Pode ter certeza: mesmo emulando em 1080p no PC, você não terá o suporte ao widescreen e todos os efeitos gráficos refeitos (sem contar todo o conteúdo extra, claro).

 

Entretanto, Final Fantasy X é um jogo muito mais datado que Final Fantasy XII, portanto, fica mais evidente o trabalho em um do que no outro. O décimo segundo jogo da franquia saiu no final da vida do PlayStation 2 e usufruiu de toda a potência técnica e expertise de desenvolvimento possível, entregando um produto muito belo no final.
Mas convenhamos: o que você deve estar se perguntando no momento é se vale a pena jogar emulado no PC ou a versão remasterizada. Sem a menor sombra de dúvidas, a edição do PlayStation 4 é melhor do que o upscale que um emulador oferece. Confesso: quando foi anunciado, pensei que se tratava de uma atualização com poucas melhorias gráficas, mas basta algumas horas na frente da tela para perceber que houve um retrabalho bem maior do que o esperado (principalmente se você observar uma versão do lado da outra).

O jogo roda em 1080p e 30 fps, mas o trabalho da remasterização e a direção artística são tão bons que nem parece um jogo de PS2

 

Final Fantasy XII: The Zodiac Age roda em apenas 30 fps tanto no PS4 quanto no PS4 Pro. Pode parecer um descaso, mas provavelmente o título deve funcionar restrito a essa taxa de atualização e alterar isso pode quebrar o funcionamento da jogatina. No PS4, o game roda em 1080p, enquanto no PS4 Pro em 1440p (segundo o Digital Foundry), algo que pode ser decepcionante.
Outro aspecto fenomenal que foi produzido mais uma vez do zero é a trilha sonora. Veja bem, não são faixas regravadas ou remixadas, mas sim refeitas por uma orquestra. Sim, a Square pensou nos mínimos detalhes. A parte audiovisual é soberba e, muitas vezes, é fácil esquecer que se trata de um game da era PS2.

Final Fantasy XII foi uma gema escondida da era PlayStation 2: além de muitos fãs torcerem o nariz, ele saiu no final da geração, quando o PlayStation 3 e o Xbox 360 já estavam no mercado, algo que pode ter tirado a devida atenção que o título merecia. Definitivamente, o game está além de sua época e sobreviveu muito bem até hoje.
Há um ponto ou outro que poderia ser melhor, mas o maior destaque é que a Square Enix acertou na mão ao balancear retrabalho gráfico e mecânico na medida certa, mas sem mexer na essência do jogo. Sem sombra de dúvidas, Final Fantasy XII: The Zodiac Age leva o selo de qualidade de uma boa remasterização. Não é a melhor que já vimos, mas certamente está em um nível de qualidade bem acima do esperado, com muito conteúdo novo e coisas inéditas no Ocidente.

  

Especificações
  • Legenda: Inglês
  • Audio: Inglês
  • Tamanho: 40,6,4 GB

Trailer
 
 Gameplay
 
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