Assassin's Creed IV Black Flag

PS4

Assassin's Creed IV Black Flag

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R$ 52,95

O vasto mar do Caribe se abre à sua frente. O sol queima a pele de seu rosto, evidenciando as cicatrizes que você colecionou a cada batalha vencida. O navio desliza rapidamente sobre as ondas, impulsionado pelos ventos que vêm do Atlântico. A tripulação a bordo comemora, ri, bebe e pragueja, fazendo com que as vozes exaltadas se confundam com o ranger das vigas que sustentam a embarcação. Estamos no século 18 e isso significa que essas águas não são seguras para ninguém — exceto, é claro, se você for um maldito pirata.
Portanto, esqueça os sonhos renascentistas de Ezio ou o idealismo de Connor: em Assassin’s Creed IV, as coisas são um pouco mais diretas e menos romantizadas. Estamos falando de lobos do mar, de bandidos que velejam sob uma bandeira negra em busca de uma única coisa: ouro. Tesouros que se escondem em grandes embarcações, esperando para serem saqueados. E é aí que Edward Kenway entra na história.
Só que a entrada do corsário ao rol de protagonistas vai muito além do rosto que estampa a caixa. Além das melhorias óbvias na jogabilidade, Black Flag ajuda a expandir a mitologia criada pela Ubisoft ao mostrar quem nem só de bons moços vive o Credo dos Assassinos. Enquanto os heróis anteriores lutavam por uma ideia ou um sonho, o novo personagem prefere valorizar muito mais os prazeres da vida pirata do que defender uma causa — por mais que isso seja deixar de lado o cerne da franquia.

20 mil léguas submarinas

O desafio de toda série anual é trazer novidades significativas a seus lançamentos — algo que nem todo mundo consegue fazer. E por mais que muita gente torça o nariz para a periodicidade que a Ubisoft deu a Assassin’s Creed, a verdade é que ela consegue fazer isso sem deixar a franquia cair no incômodo mais do mesmo. E Black Flag mostra como isso é possível.

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O novo game traz tudo aquilo que funcionou nos jogos anteriores e corrige as falhas apresentadas por eles. Por mais que ele não traga um salto de inovação semelhante ao que vimos na transição de AC: Revelations para AC3, Black Flag consegue melhorar — e muito — praticamente tudo na mecânica de combate e exploração. Em comparação a seus antecessores, AC4 é muito mais refinado e prático.
O maior exemplo disso é o próprio sistema de navegação, que está muito mais simples e acessível do que o visto no último jogo. Navegar pelos mares deixa de ser um pequeno extra e passa a ser parte fundamental do novo jogo, já que você quase passa mais tempo em seu barco do que sobre a terra firme. E para que isso fosse possível, algumas mudanças básicas foram feitas para facilitar a transição.
O primeiro ponto é que o controle do navio foi facilitado. Além de poder navegar a velocidades bem maiores — deixando as viagens menos maçantes —, o uso dos canhões também foi reformulado para tornar os combates mais dinâmicos. Em AC4: Black Flag, não é mais necessário deixar seu navio lado a lado com o inimigo para causar dano, já que os disparos podem ser feitos a partir de qualquer ângulo.
Pode parecer uma mudança simples, mas isso faz muita diferença em sua vida pirata. A facilidade para trocar o tipo de munição e a liberdade de atacar por diferentes frentes tornam tudo bem mais ágil, já que você não precisa perder tempo manobrando a embarcação.

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Por outro lado, essa alteração é compensada por um aumento na quantidade e no tipo de navios inimigos. A variedade de embarcações é bem grande e algumas vão dar muita dor de cabeça para o capitão assassino — principalmente quando sua cabeça é posta a prêmio e caçadores de recompensas começam a caçá-lo. É possível analisar o poder de fogo e o tipo de carga que cada oponente carrega a partir de sua luneta, o que ajuda na hora de decidir se você deve ou não entrar naquela batalha.
Outra novidade bem interessante oferecida pela Ubisoft neste novo Assassin’s Creed é que Edward não está mais preso ao timão, o que significa que você tem liberdade total para deixar o controle a algum encarregado e ir cuidar de outras tarefas no navio — ou simplesmente se jogar em alto mar.

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Esse pequeno detalhe abre o leque de possibilidades em um nível incrível. Primeiramente, as opções de exploração expandem consideravelmente. Como você pode aportar em qualquer lugar, isso significa que o assassino pode parar em alto mar para conferir que segredos se escondem naquela pequena ilha, partir em caçada a tubarões e baleias ou mergulhar em busca de tesouros naufragados.
Mais do que isso, após uma batalha naval, você pode simplesmente invadir e saquear o navio inimigo, o que pode ser feito tanto para aumentar suas provisões quanto ampliar o tamanho de sua frota — algo que todos esperavam ver em AC3 e que, infelizmente, ficou de fora.

Pirata e explorador

Contudo, a possibilidade de entrar e sair do navio a qualquer momento não é o único incentivo a explorar o mundo de Assassin's Creed IV. Na verdade, praticamente tudo pode ser visto como um convite para que você pare por alguns instantes a fim de descobrir o que há em cada área do mapa.

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Primeiramente, temos a parte gráfica. O jogo está muito bonito, sobretudo em sua arte. Se, em AC3, tudo era muito cinzento, Black Flag surpreende ao ir no sentido oposto e apresentar um mundo bastante colorido e bem iluminado, fazendo com que tudo salte aos seus olhos. Isso já é perceptível quando Edward está em alto mar — as águas caribenhas são de cair o queixo —, mas fica ainda mais evidente quando ele aporta em alguma ilha ou vilarejo.
A quantidade de detalhes em cada área é impressionante e, por mais que os consoles atuais sofram um pouco para dar conta do recado, o trabalho da Ubisoft na parte visual está impressionante.
E como já é típico da série, Assassin's Creed IV traz um excelente trabalho na hora de recriar a arquitetura, os costumes e outros elementos da época. Essa ambientação ajuda a tornar a imersão naquele contexto ainda mais profunda, pois há uma série de referências históricas a cada novo local visitado.

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As plantações de cana-de-açúcar que podem servir de esconderijo para Edward durante as perseguições, o comércio de escravos nas áreas portuárias e até mesmo o encontro de diferentes culturas e povos em uma "terra de ninguém" dominada por piratas podem ser facilmente identificados. É engraçado andar por uma taverna e ver personagens xingando alguém em espanhol e ver outra pessoa retrucando em inglês, mostrando o quão diverso era o clima naquele período. Só é uma pena que parte disso se perca durante a dublagem.
Outro ponto interessante de imersão que também favorece a exploração do cenário é a questão geográfica. A Ubisoft pesquisou a flora e a fauna da região para que o jogador pudesse usar isso a seu favor. Tanto que, ao chegar a um novo território, ele já consegue ver que animais se escondem ali.

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E isso é bastante útil, pois o sistema de caça foi estimulado em AC4. Emprestando uma das ideias mais divertidas de Far Cry 3, Edward Kenway pode caçar alguns bichos para coletar materiais que vão ser úteis na hora de confeccionar novos equipamentos. É algo simples, direto e que melhora muito aquilo que foi introduzido no game anterior. 
Isso sem falar, é claro, das dezenas de missões paralelas espalhadas pelo enorme mapa e de uma infinidade de colecionáveis que vão consumir horas e horas de jogatina.

Entrando em combate

Em relação ao sistema de combates, Assassin's Creed IV não inova muito, mantendo o estilo mais ágil e simplificado que vimos anteriormente. A diferença é que, desta vez, você tem novas opções ao seu arsenal.

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Enquanto Connor estava sempre acompanhado de sua inseparável machadinha, seu avô é um homem mais prático. Além das icônicas Hidden Blades, Edward Kenway vai à luta com duas espadas e quatro pistolas, que garantem variedade durante os confrontos. Lembra-se de como era chato recarregar a munição de sua arma após um disparo? Pois, ao usar quatro delas, o herói fica menos dependente desse incômodo processo — sem falar que ele fica muito mais estiloso.
Outra novidade interessante é a adição da zarabatana, que, apesar de não ser algo inédito na série — a arma é herança de AC3: Liberation e o próprio Ezio já conseguia realizar efeitos de envenenamento semelhantes —, consegue trazer alguns elementos estratégicos que podem ser úteis à sua abordagem.

Trazendo respostas

Depois daquela palhaçada que foi o final de Assassin's Creed 3, todos queriam saber como Black Flag daria continuidade aos acontecimentos dos tempos modernos, principalmente com Edward Kenway sendo mais um dos antepassados de Desmond Miles. E, apesar de algumas decisões de design bem questionáveis, a solução encontrada agrada.

 

Em AC4, assumimos o papel de um funcionário da fictícia Abstergo Entertainment, uma produtora de jogos comandada por templários que vende a memória genética de assassinos como brinquedo, e que vai descobrindo a verdade sobre seu empregador aos poucos. E, à medida que ele mergulha nesses segredos corporativos, mais detalhes sobre o fim de Desmond e o futuro da humanidade são apresentados.
O destaque aqui fica por conta da metalinguagem. A Ubisoft decidiu brincar com essa ideia e fazer com que a Abstergo fizesse várias relações a fatos reais, incluindo à própria desenvolvedora. Tanto que eles mesmos tratam Assassin's Creed como uma franquia de games, com pôsteres e livros espalhados por todos os cantos. Há até mesmo menções aos trailers lançados e a AC3:Liberation — sem falar do vindouro Watch Dogs.
Essas pequenas piadas servem como um incentivo para explorar os prédios atuais em busca de segredos, embora todo o restante desta parte do jogo seja sofrível.

Multiplayer do seu jeito

Em Assassin’s Creed IV: Black Flag, a Ubisoft optou por não mexer na estrutura de seu multiplayer, mantendo os mesmos modos e estrutura do jogo anterior. No entanto, isso não significa que ela não trouxe nenhuma novidade às partidas online.

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Com o modo Oficina de Jogo, você pode editar os parâmetros da partida, alterando as regras de pontuação ao adicionar e remover algumas exigências. Por mais que isso não altere o funcionamento do jogo, as mudanças podem criar dinâmicas completamente variadas de acordo com as suas escolhas.
É possível proibir o uso de determinadas armas e habilidades ou fazer com que apenas às mortes à distância sejam consideradas válidas. Além de dar muito mais liberdade ao jogador de definir como ele quer jogar, isso ainda obriga os competidores a reformularem suas estratégias para cada situação.

Um herói menos memorável

Por ser um assassino um pouco diferente de Ezio e Connor, Edward Kenway se torna uma adição bastante interessante ao rol de protagonistas da série. No entanto, ao mesmo tempo em que é muito legal vermos um personagem menos heroico e que leva o lema de “tudo é permitido” ao pé da letra, isso acaba deixando de lado muito daquilo que é a base da série.

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De todos os assassinos apresentados até agora, a história de Edward é a menos envolvente. É divertido acompanhar suas desventuras, mas porque a temática pirata chama a atenção. A parcela “assassina” é pouco trabalhada e a falta de uma causa torna suas ações vazias. É uma constante corrida por ouro que pode animar no início, mas que cansa rapidamente.
Isso tudo torna o enredo de Assassin’s Creed IV: Black Flag o mais raso de todos. Enquanto os demais jogos tinham um foco bem maior na luta do Credo contra os Templários, esse conflito milenar é colocado quase em segundo plano por aqui. O foco ainda é a atividade corsária, criando um afastamento da temática central da série que destoa bastante daquilo que os fãs esperavam.

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O maior exemplo disso é que Kenway se torna um assassino por acaso e começa a se relacionar com os outros a partir de seus próprios interesses. E por mais que isso sirva para mostrar a evolução de como um simples bandido dos mares se transformou em um “herói invisível” da História, esse processo de transformação é lento e cansativo.

Sofrimento moderno

Apesar de a exploração da Abstergo Entertainment trazer muitas respostas para a série, ela é incrivelmente chata, lenta e cansativa. Lembra-se de como era horrível controlar Desmond em Assassin’s Creed: Revelations? Pois a perspectiva em primeira pessoa está de volta, para a tristeza de todos.
E isso apenas contribui para a falta de identificação e interesse no que está acontecendo. Por mais que você fique curioso para descobrir que segredos os Templários escondem em seus escritórios, a péssima mecânica nos faz pensar duas vezes antes de procurar notas ocultas e computadores para serem invadidos.

 

Mais do que isso, a falta de um rosto, nome ou qualquer outro tipo de elemento que ajude na construção de um vínculo faz com que seja impossível criar empatia ou interesse com os acontecimentos modernos. Isso torna tudo muito mecânico e pouco chamativo, fazendo com que você não tenha a menor vontade de sair do Animus.

Adições questionáveis

 Por mais que Assassin’s Creed IV seja, em sua grande maioria, um refinamento daquilo que vimos nos jogos anteriores, isso não significa que algumas dessas mudanças tenham funcionado tão bem quanto a produtora esperava.
O maior exemplo disso é o sistema de marcação de alvos. A característica foi trazida diretamente de Splinter Cell e, por mais que ela seja realmente bem útil durante algumas missões, a habilidade de Sam Fisher não se encaixa tão bem no mundo dos assassinos.

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Ao ativar o recuso, os pontos de interesse podem ser visualizados através de paredes e qualquer outro tipo de obstáculo. Isso ajuda muito quando você precisa acompanhar alguém na surdina e manter contato visual para não ser dessincronizado. O problema é que não há nenhuma diferenciação quando o inimigo está atrás de uma barreira ou claramente à sua frente. É praticamente impossível fazer a distinção.
Isso fica ainda pior quando você precisa fazer um assassinato aéreo. Afinal, o alvo está em seu raio de alcance ou ele está dentro de alguma construção? Difícil dizer, o que pode arruinar toda sua estratégia e acabar com a missão.
A seleção de equipamentos também sofreu reajustes e ficou um pouco mais confusa em Black Flag. A roda de armamentos foi substituída por duas barras que podem ser acessadas pelo D-Pad. E por mais que isso dê um dinamismo maior à escolha, já que não é preciso parar a ação para definir o que usar, isso torna as coisas menos precisas, já que você perde muito mais tempo procurando o objeto desejado.

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E boa parte dessa falta de “carisma” da sequência está no próprio enredo. AC4 se distancia demais daquilo que seus antecessores trouxeram à mitologia da série, colocando a história dos assassinos quase em segundo plano para valorizar a temática pirata. Ele ainda é divertido e vai consumir horas e mais horas de sua vida, mas não com o mesmo engajamento de outrora.
Contrariando todas as expectativas, a Ubisoft conseguiu trazer um jogo que é muito superior aos anteriores, mas na parte técnica. As melhorias no sistema de navegação e exploração são ótimas, mas não o suficiente para superar os jogos anteriores. Enquanto a história de AC3 era quase uma épica, Assassin’s Creed IV: Black Flag se apresenta praticamente como um clássico da Sessão da Tarde: divertido mas simples, descompromissado e fácil de esquecer.

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  • Legenda: Português BR
  • Audio: Português BR
  • Tamanho: 19,8 GB
 
 

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